CINEMAENTREVISTAS

FÁBIO PORCHAT E MIÁ MELLO: SINTONIA DENTRO E FORA DO PALCO

Casal de atores fala sobre humor, sobre a nova fase de ‘Meu passado me condena’, agora no teatro, e sobre o que os faz rir ou fechar a cara no dia a dia.

Por: Redação / Fotos: Silvana Marques

 

 

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A mesma sintonia que Fábio Porchat e Miá Mello têm demonstrado nas telas e nos palcos, em ‘Meu passado me condena’, eles demonstram fora. Sem meias palavras, com muito bom humor e um papo agradável, os dois receberam a equipe da Salve no teatro Shopping Frei Caneca, durante a preparação para mais uma vez entrarem em cena.

HAPPY: Quando perguntados sobre se humor tem limites, vários colegas de vocês já responderam que o limite é o bom senso. Então, a pergunta é a seguinte: qual é o limite do bom senso?

FÁBIO PORCHAT: É o limite de cada um, né? Cada um tem o seu bom senso, cada um sabe até onde pode ir. Eu acho que todo mundo pode ir até o seu próprio limite.

MIÁ MELLO: Eu detesto ser polêmica. Fujo disso como o diabo da cruz. Porchat: Mas, isso não é necessariamente uma qualidade ou um defeito.

PORCHAT: Mas, isso não é necessariamente uma qualidade ou um defeito.

HAPPY: Polêmica que você diz, seria o quê? Política, religião…

MIÁ MELLO: Não, eu acho que é assim: A gente, hoje em dia, fala para um grande número de pessoas, principalmente na televisão. Quando você fala em números de televisão, de Ibope, de audiência, é um número muito grande. Você não faz nem ideia de quantas pessoas. Então, você tem que pensar que não está falando na sua casa. Eu meço muito minhas palavras na hora de fazer qualquer brincadeira ou até mesmo quando uso minhas redes sociais, que também têm um número considerável de pessoas. É a minha opinião e é isso que ele falou: não é nem o certo nem o errado, mas a minha opinião é assim: tudo o que eu acho um pouco polêmico pode pegar mal. Eu não faço, eu evito!

FÁBIO PORCHAT: Na verdade, não existe uma definição do bom senso, porque é isso. Para mim é uma coisa, pra você é outra. Sempre será assim.

HAPPY: Como foi a adaptação de ‘Meu Passado me Condena’ para o teatro? Qual foi a maior dificuldade? A interação com o público faz a responsabilidade aumentar ainda mais?

FÁBIO PORCHAT: Eu acho que gera mais responsabilidade e é mais prazeroso ter a resposta. O teatro é incomparável. Você tem a resposta imediata do público, ali, na hora.

MIÁ MELLO: Acho que, aqui, a gente ainda está em uma fase…como a gente estreou há um mês, sei lá, nem isso, a gente ainda está com aquele prazer: “Pô, vamos fazer amanhã e amanhã a gente testa aquilo, vamos fazer daquele jeito”. E às vezes eles não riem de uma coisa, mas riem de outra. Então, a gente ainda está naquela fase de ‘tesão’ em fazer a peça. E acho que isso ainda dura bastante, por conta de o teatro cada dia ser uma coisa. E a gente tem que fazer isso. Na hora que cai numa segurança, num modo automático, tem que fazer virar.

FÁBIO PORCHAT: É que estou fazendo stand up há muito tempo, por isso é bom ter alguém com quem contracenar. Desta forma, um vai levantando pro outro, um não deixa a peteca do outro cair. Se um dia a Miá está meio cansada e eu não estou, “vamos nessa”. Se um dia eu chego ‘assim’, a Miá levanta a onda. Então é legal ter isso e poder trocar. Acho que a dificuldade foi a própria adaptação: A história é do mesmo casal, mas é uma história nova. Teve a dificuldade de transformar isso em teatro e que cena seria: A noite de núpcias e eu acho que foi uma boa ideia, porque pudemos passar a peça inteira naquela hora.

MIÁ MELLO: Acho que a grande dificuldade é que o Fábio não tinha tempo pra ensaiar.

HAPPY: Qual o tipo de piada que faz vocês rirem e o que não faz?

FÁBIO PORCHAT: A boa. Isso é muito pessoal, né? Eu, por exemplo, não acho a menor graça, e entendo que tem humor, mas, eu não consigo achar a menor graça do Jackass.

MIÁ MELLO: Eu também não.

FÁBIO PORCHAT: Pessoa quebrando a perna…vomitando e comendo.

MIÁ MELLO: Nossa! Detesto.

FÁBIO PORCHAT: Mas, eu entendo que as pessoas riem daquilo. Eu entendo que tem humor ali, mas não acho graça. Tenho uma agonia, aflição, nojo e tal. Agora, do que eu gosto… Uma coisa que sempre me faz rir é ver gente tomando susto. Eu acho a coisa mais engraçada. Susto é uma coisa que eu amo.

MIÁ MELLO: Eu amo quadrinho. Tem um cara chamado Gary Larson (cartunista americano, criador das tirinhas The Far Side) que, juro, eu não sei explicar. Passam três quadrinhos. No primeiro, tem umas vacas pastando, em pé, no pasto. No segundo, é uma gritando: “carro” e, no terceiro, elas estão de quatro pastando. É muito escroto, mas eu não consigo parar de rir. Eu digo: “Gente, vem ver, vem ver”. Eu acho genial. Eu acho que esse humor visual é uma das coisas de que eu mais gosto.

FÁBIO PORCHAT: Do que você não gosta, além do Jackass, de que eu falei?

MIÁ MELLO: Jackass eu acho uma ótima coisa. Aliás, eu não consigo nem ver sangue, eu acho muito chato. Mas não sei, de pegadinha eu não gosto muito. Eu tenho pena.

HAPPY: O que vocês gostam de fazer nas horas vagas?

FÁBIO PORCHAT: Trabalhar.

MIÁ MELLO: Ler.

FÁBIO PORCHAT: Na verdade, tem coisas que pra mim são trabalho: ler, ir ao cinema, ir ao teatro. É claro que é um hobby, mas pra minha profissão, é um trabalho também. Eu escrevo., então, preciso ler, eu preciso estar lendo sempre, me informando. Isso também faz parte do meu trabalho, não consigo me desconectar disso. Eu acho assim: “Do que eu gosto de fazer? Ah, jogar golfe”. Isso pra mim seria alguma coisa. Tocar violão seria algo fora. Mas, eu nunca consigo me desconectar. Ao assistir a um filme ou a uma peça, eu fico vendo texto, figurino, cenário, atores…como é que aquilo está acontecendo.

MIÁ MELLO: Mas, não chega uma hora em que, se o filme estiver muito bom, você desconecta?

FÁBIO PORCHAT: Não consigo mais. Agora que estou começando a fazer cinema, eu começo a ver a luz… É uma merda!

MIÁ MELLO: Eu não. Quando eu embarco na história…e, tipo, o que eu amo no livro é que eu desconecto.

FÁBIO PORCHAT: Com o livro, eu desconecto.

MIÁ MELLO: Às vezes eu estou em um lugar e não consigo ficar esperando nada. É uma coisa desesperadora. Se eu estou num lugar onde tenho que esperar por algo e não tenho nada, eu quero morrer, morrer. Então, eu começo a fazer alguma coisa. Aí, cara, onde eu estou eu pego um livro e “tchau, gente”. A história, o livro é muito bom.

HAPPY: A gente já percebe um pouco, mas como é a convivência de vocês fora do palco?

FÁBIO PORCHAT: É ótima.

MIÁ MELLO: A gente se dá super bem, se gosta, se admira, quer dizer, eu admiro o Fábio…

FÁBIO PORCHAT: A gente se admira, eu ‘te’ admiro também. Você é uma ótima mãe…que escroto…Não, mas ela é a parceira ideal, assim. A gente se encontrou, realmente. Um casal que funcionou dentro e fora. Tem que funcionar fora, senão não dá!

MIÁ MELLO: Se não a gente não estaria fazendo tantas coisas.

FÁBIO PORCHAT: E tem uma coisa com que a gente é muito tranquilo um com o outro, né? Eu falo: “Ah, Miá, hoje você não acertou aqui”. “Ah, então como é que é?”. Da mesma forma, ela: “Ah, Fábio, hoje eu achei que você…não sei o quê”. E eu: “Putz, você tem razão”.

MIÁ MELLO: Isso é muito bom, porque é cansativo você trabalhar com quem não é assim. E é normalíssimo.

FÁBIO PORCHAT: O que a gente tem aqui é que não é normal.

MIÁ MELLO: É muito numa boa, tudo flui. A gente não precisa ficar: “Espera aí, como é que eu vou falar?”. Eu nunca fui embora sem falar alguma coisa pra ele. Um gosta do outro, quer que o outro faça bem. A gente tem essa postura muito transparente um com o outro. A gente vive rindo, o Fábio é muito bobo, ele é ridículo e eu dou risada. Ele me diverte muito. E eu acho que ele gosta que eu fique rindo de tudo o que ele faz.

HAPPY: Qual a situação que faz vocês tirarem o sorriso da cara?

FÁBIO PORCHAT: Trânsito e política.

MIÁ MELLO: Telemarketing. Burocracia também.

FÁBIO PORCHAT: A política me deixa triste. O trânsito me deixa um animal selvagem descontrolado. Se eu tivesse uma arma, eu já teria matado gente. É verdade, eu já teria saído do carro e dado um tiro em alguém.

MIÁ MELLO: Você fica pensando que está perdendo tempo, que já poderia estar em outro lugar. É desesperador. Mas a burocracia me incomoda muito. Ter que ir ao cartório autenticar. Gente, é muito rudimentar você ter que ir a um lugar para dizer que aquela é sua assinatura. É muito chato. Aí, você vai ver: “Ah, o IPVA do carro”. No meio do ano, você vai olhar e não está pago. A primeira parcela não era tudo, era uma. Aí você vai olhar e não dá mais para pagar no banco. Tenho vontade de morrer.

FÁBIO PORCHAT: Um dia destes, me ligou uma mulher, era novembro. Ela disse assim: “Seu plano vai ser cancelado”. “Por que cancelado?” “Por que o senhor não pagou fevereiro”. “Mas eu paguei março, abril, maio junho, julho, agosto setembro e outubro. Não parece que, provavelmente, aconteceu um equívoco e eu esqueci? Não é possível. Eu enganei você? Não paguei fevereiro e paguei todo o resto”. “Ah, senhor, mas não tem como”.

MIÁ MELLO: É foda. Eu odeio isso.

HAPPY: O que é um verdadeiro happy hour pra vocês?

MIÁ MELLO: Eu amo sair com as minhas amigas. Eu pensei nas minhas amigas, porque eu me mudei há pouco pro Rio. Sinto muita falta de ir pra casa de alguma delas e ficar tomando vinho.

FÁBIO PORCHAT: Eu ia falar isso agora. Os amigos. Aliás, falou bem. Um bom happy hour pra mim é ir pra minha casa. Adoro convidar gente para ir para a minha casa.

MIÁ MELLO: Você nunca me convidou.

FÁBIO PORCHAT: É porque eu não tenho casa, agora. Eu gosto de receber gente. E gosto de tomar vinho e saquê. São minhas bebidas preferidas.

MIÁ MELLO: Eu gosto muito de tomar gim. Muita gente diz que gim é bebida de alcoólatra, mas eu gosto. Eu só bebo gim. Na minha casa só tem gim.

FÁBIO PORCHAT: Quando que você tomou gim pela última vez?

MIÁ MELLO: Na minha casa só tem gim.

FÁBIO PORCHAT: Eu nunca fui à sua casa.

MIÁ MELLO: Eu só tomo gim, mas é porque a gente saiu pra jantar também. Não vou a um jantar falar…

FÁBIO PORCHAT: Eu tomo uma garrafa de saquê num jantar.

MIÁ MELLO: Mas, saquê é mais leve, né?

FÁBIO PORCHAT: Uma garrafa?

MIÁ MELLO: Não fala isso, Fábio.

HAPPY: Querem mandar um Salve pra alguém?

FÁBIO PORCHAT: Pra Regina Casé, do Esquenta. Adoro ela.

MIÁ MELLO: Pro pessoal do ‘Deznecessários’. Uma galera muito legal!

padrao
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