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JIU-JITSU: CONHEÇA UM POUCO MAIS SOBRE O ESPORTE

O atleta Tarsis Humphreys explica os fundamentos da arte marcial, antigamente praticada por budistas e hoje difundida no mundo inteiro

Por Tarsis Humphreys / Foto: Divulgação

Quem vê seus golpes sendo aplicados em lutas de MMA talvez não imagine que seu nome seja Arte Suave. Pois este é o significado de Jiu-Jitsu e isso se transmite no conceito principal para a prática da modalidade: utilizar o peso e a força do adversário contra ele mesmo. O objetivo é permitir que o praticante, ainda que mais fraco, possa dominar outro mais forte. Ainda que vise dominar o adversário, seu princípio básico é a defesa pessoal.

A história do Jiu-Jitsu tem seu início na Índia onde era praticado por monges budistas     e cujo principal objetivo era a defesa pessoal. Foi desenvolvido tendo como base os princípios de equilíbrio, os sistemas de articulações do corpo e o uso de alavancas. Desta maneira, os monges poderiam se defender sem o uso de armas e da força.

Conforme o budismo teve sua expansão para a Ásia, o Jiu-Jitsu também se expandiu chegando ao Japão, onde se popularizou e amadureceu para que, no final do século XIX, fosse para o mundo todo com a migração dos mestres desta arte marcial.

NO BRASIL

No Brasil, o Jiu-Jitsu chegou com o Conde Koma (Esai Maeda Koma), por meio de uma excursão pela Europa e Ásia. Mais precisamente, desembarcou em Belém do Pará, em 1915, onde Conde Koma conheceu Gastão Gracie e deu início à movimentação mais importante da história da Arte Suave, quando começou a ensinar a técnica a seus filhos: Carlos e Hélio.

De posse da eficiente técnica de defesa pessoal, os Gracie vieram para o Rio de Janeiro – capital nacional na época – com o objetivo de se firmarem como lutadores e expandir o Jiu-Jitsu, abrindo academias por todos os lados.

Hélio Gracie conquistou a notoriedade com grandes desafios de luta em que derrotava oponentes muito maiores do que ele. Com o tempo, o Jiu-Jitsu tradicional (japonês) que privilegiava as quedas, foi dando espaço ao Brazilian Jiu-Jitsu que conta com o aprimoramento da luta no chão e os golpes de finalização.

Hoje, o Brazilian Jiu-Jitsu é exportado para o mundo todo e é praticado, não só como meio de defesa pessoal, mas, principalmente, como esporte por meio de campeonatos amplamente difundidos.

O ATLETA TARSIS HUMPHREYS RESPONDE AS PRINCIPAIS DÚVIDAS SOBRE O ESPORTE

Qual a diferença entre o Jiu-Jitsu brasileiro e o praticado em outros lugares do mundo?

O Jiu-Jitsu japonês e o europeu, que se chama ju jutsu ou ju jitsu, foram aprimorados e desenvolvidos, principalmente, pelo falecido mestre Hélio Gracie. Ele era uma pessoa muito fraca fisicamente e usou toda sua inteligência para estudar os golpes e criar pontos de alavanca, o que o permitia lutar contra pessoas mais fortes e tornar o jiu-jitsu muito mais eficaz. No Ju Jitsu europeu, eles lutam dando socos e chutes e o japonês é bem básico.

Qual a importância dos Gracie?

Eles aprenderam e disseminaram o Jiu-Jitsu pelo Brasil e pelo mundo, além de provar que era a arte marcial mais completa e eficaz, nos eventos de “Vale Tudo”, hoje conhecidos como MMA (Mixed Martial Arts).

Como é a rotina de um profissional do Jiu-Jitsu?

O atleta profissional de Jiu-jitsu precisa dedicar o maior tempo possível à arte: preparar-se fisicamente e aprender o máximo de todas as áreas. Precisa se dedicar muito e tentar entender a mecânica da luta, além de torná-la automática e sincronizada. Precisa se alimentar bem, cuidar da saúde. Tem que saber a hora de escutar o corpo, descansar e saber também usar suplementos. É necessária uma infraestrutura à disposição do atleta, como: médico, fisioterapeuta, nutricionista e, em alguns casos, psicólogo esportivo.

O atleta precisa ter consciência de que vai precisar abdicar de algumas coisas, a favor do esporte: Enquanto os amigos saem para festas à noite, um atleta precisa dormir bem e descansar, pois no dia seguinte, precisa acordar recuperado e descansado para a maratona de treinos.

Como é a preparação para um campeonato mundial?

Eu me preparo treinando Jiu-Jitsu todos os dias, em treinos de duas horas. Além disso, estou sempre estudando novas posições, seja através do YouTube, seja assistindo a campeonatos. Também fui buscar técnicas de outras lutas como o Judô e Wrestling, para melhorar minhas quedas e também me preparar fisicamente com o LPO System (Levantamento de Peso Olímpico).  Costumo treinar LPO três vezes por semana, de 90 minutos a 2 horas.

Também sou professor de Jiu-Jitsu o que me torna ainda mais técnico, pois preciso passar esta técnica de maneira 100% eficaz para os meus alunos e isso me ajuda muito a querer entender cada vez mais sobre o Jiu-Jitsu.

Dá para viver do Jiu-Jitsu?

Sim! Eu vivo do Jiu-Jitsu. Tenho patrocinadores e tenho meus alunos de aulas coletivas e aulas particulares. Também faço seminários pelo mundo todo. Já ensinei o Jiu-Jitsu até para os militares da maior base do exército dos Estados Unidos – em Columbus/Georgia – e agora estou abrindo minha academia.

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