CINEMA

O SHAKESPEARE DO CINEMA

A Sétima Arte antes e depois de Stanley Kubrick

Por: Cesar Netto / Fotos: Divulgação

Escutei uma frase do diretor Heitor Dhalia – diretor de Cheiro do Ralo, Serra Pelada entre outros – em uma entrevista, que foi muito bacana: “Stanley Kubrick é o Shakespeare do cinema.””

E Shakespeare, cá entre nós era um gênio, assim como Kubrick, cineasta que nasceu em Nova Iorque em 26 de julho de 1928, que na infância não foi assim um aluno exemplar, mas era fera no xadrez. Foi responsável por filmes inesquecíveis como Laranja Mecânica, Lolita, O Iluminado, 2001: Uma Odisseia no Espaço e Dr. Fantástico.

Kubrick é sem dúvida um dos meus diretores de cinema prediletos, e não só meu como de vários diretores espalhados pelo mundo. Foi um diretor intenso e que buscava a qualquer preço o lado mais sombrio do ser humano. Seus personagens, escritos por ele mesmo, eram complexos, de personalidade forte, na fronteira entre a loucura e a insanidade, entre a doçura e o desapego.

Uma das coisas mais bacanas de sua obra é saber que nenhum de seus filmes tem estilo parecido. Podemos esperar uma comédia, um drama, um suspense; mas sempre com uma estética visual apuradíssima que influencia até hoje gerações de artistas.

Quem já assistiu aos filmes de Kubrick sabe que vai sair no final de uma forma diferente, provavelmente impactado pela loucura do gênio e sua capacidade de nos levar às esferas mais impenetráveis da nossa mente!

Comigo isso aconteceu, quando assisti a Laranja Mecânica, de 1971. Fiquei completamente atordoado, entorpecido, embriagado de sentimentos como: raiva, desprezo, medo, curiosidade, felicidade, inveja.

Laranja Mecânica teve o dedo do gênio que colocou nas mãos de uma gangue as mais bizarras e perversas situações de conflito juvenil e de violência urbana já vistas em um filme. Um dos detalhes mais interessantes foi sua trilha sonora: Músicas clássicas usadas em cenas de estupro e de violência. O visual ousado e o beco psicológico, em contraponto com a música de Beethoven.

Por causa de Laranja Mecânica, Kubrick foi muito questionado como artista a ponto de proibirem o filme em vários países. Muitos assassinatos reais aconteceram na época de forma “parecida” com algumas situações da trama; e Kubrick e sua família, que moravam na Inglaterra, sofreram consequências, como ameaças à sua segurança.

Isso tudo visto em 2014 só nos faz reforçar a maestria deste ser único, chamado Stanley Kubrick, um cara que andava na contramão das regras, que colocava em cada diálogo sua própria inten   ção. Uma obra como esta só pode ser degustada ou devorada com muita intensidade. Se assistirem aos primeiros 10 minutos de qualquer filme da obra, correm o risco de se contaminarem pelo vício de assistir enlouquecidamente e sem parar. Eu, particularmente, começaria por Laranja Mecânica ou até por De Olhos Bem Fechados, último filme do diretor que faleceu em 1999, de ataque cardíaco.

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